As vezes me pergunto, onde estão as pessoas que, assim como eu, preferem passar o dia inteiro em casa?
E aquelas que não gostam da noite, onde estão? Falem comigo! Eu sou uma delas.
Prefiro estar em casa à estar em lugares lotados de pessoas desconhecidas e agitadas. Prefiro a luz do dia à escuridão noturna, onde somos obrigados à iluminar o ambiente com luzes artificiais, amareladas e sombreadas. Prefiro estar em casa, lendo um bom livro ao lado de uma luminária fraca, deitada em minha cama; ou em algum lugar calmo e vazio, observando a lua, sentindo o vento bater no meu rosto, forte e gelado. É assim que eu prefiro. E só prefiro porque preciso. Não prefiro a noite. Sou muito mais do dia. Da luz do sol, os raios batendo em meu rosto e aquecendo minha pele. Gosto dessa sensação, onde parece que estou sendo invadida por essa estrela tão gigante que seria capaz de exterminar todos nós.
A grandeza dela me assusta, mas me encanta. O sol, invadindo a sala de casa, dando aquela iluminação perfeita para uma leitura, uma fotografia ou uma cochilada de dez minutos, aquelas que nos invadem com sonhos agitados e malucos.
Prefiro estar em casa, com comidas prontas e a cama feita, onde posso me jogar e desarrumar os lençóis, e saber onde está aquele objeto que larguei minutos atrás.
Não estou falando de solidão; não prefiro estar só. Eu gosto de pessoas.
Mas por que muitas? Por que escolher estar rodeada de pessoas desconhecidas, quando posso estar em poucas companhias, porém, agradáveis? Que irão me proporcionar risadas e bons momentos, aqueles que, geralmente, dão as melhores fotos espontâneas.
Não almejo a solidão. Apenas o conhecido, o lar, o confortável. O lugar onde posso me sentir em casa.
